Adoro quando me encontro com os meus amigos. Desses encontros sempre sai uma discussão: seja sobre uma forma de falar, a letra de uma música, o comportamento das pessoas, a opção sexual, a maneira de viver ou de pensar.
No nosso último encontro a discussão foi sobre TATUAGEM.
Para iniciar meu ponto de vista quero primeiro mostrar para os leitores a diferença entre "preconceito e discriminação" segundo o meu velho e fiel dicionário AURÉLIO datado de 1986.Se ele está muito atrasado, por favor, me perdoem.
PRECONCEITO: Conceito ou opinião formados antecipadamente, sem maior ponderação e sem conhecimento dos fatos; julgamento ou opinião formada sem se levar em conta o fato que os conteste; Suspeita, intolerância, ódio racial ou aversão a outras raças, culturas, religiões, etc...
DISCRIMINAÇÃO: Ato ou efeito de discriminar; Separação, apartição, segregação: discriminação racial.
O que eu aprendi sobre a diferença entre preconceito e discriminação, puxando para a nossa realidade, é que no primeiro (preconceito) você não concorda e não aceita o ponto de vista do outro ; no segundo você pode até não concordar, mas respeita esse ponto de vista, não discriminando nem segregando.
Então voltemos para o assunto TATUAGEM.
Na roda de amigos, tinha dois tatuados (eu e outra pessoa). A discussão se iniciou porque disseram que quem é tatuado vai ser sempre segregado, (e aí você pode identificar um ato discriminatório), pois a tatuagem é própria de quem é transgressor, rebelde, vândalo, etc (um preconceito), embora eles soubessem que nós, os tatuados da roda, não fôssemos nem uma coisa nem outra.
A Igreja católica, de fato, baniu a tatuagem na Idade Média pois achava que quem a usasse estava
praticando atos demoníacos e profanando o próprio corpo, templo de Espírito Santo.
No entanto, tudo muda e tudo se transforma, não é?
Fico pasma de ver que os tatuados ainda são vistos como vândalos ou transgressores, em um mundo em que os homossexuais buscam espaço para viverem abertamente sua opção sexual, em que as mulheres entraram no mercado de trabalho de tal forma que muitas vezes são as provedoras de suas casas e seus casamentos, em que as mulheres lutaram e conseguiram impôr sua sexualidade, sua feminilidade. Porque, há algum tempo atrás, da mesma forma que o tatuado era visto como transgressor, o homossexual era obrigado a ficar no armário, a mulher não podia sair para trabalhar fora de casa e muito menos sustentar um homem que muitas vezes ganhava muito menos do que ela, e a mulher não podia dizer que sentia desejo e prazer na relação sexual. Porque uma coisa mudou e outra não? Ou será que não mudou? Qual é o problema que existe em ser tatuado? Porque tatuagem é coisa de homem, é pouco feminino (olha o preconceito aí)? Partindo desse pressuposto, mulher também não deveria escolher o homem com quem transar, porque isso sempre foi coisa de homem. Mulher não deveria trabalhar fora, porque isso era coisa de homem.O que lhe competia era ser mãe e esposa em tempo integral. Homossexual não deveria se assumir, porque o sexo e o casamento foi inicialmente idealizado entre sexos opostos.
Aí veio outra discussão. O que me levou a fazer minhas tatuagens? Eu queria me mostrar? Eu queria me afirmar?
Não. Eu fiz minhas tatuagens simplesmente porque gosto de tatuagens. Simples assim. Para agradar a mim mesma, não a quem as veja. No entanto, disse aos meus amigos que quando vejo pensamentos como esses eu fico muito satisfeita de estar quebrando tabus, saindo do lugar comum, sendo eu mesma.
Abaixo vou colocar as fotos de minhas tatuagens para que vocês se deliciem, porque, modéstia à parte, elas são lindas....
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